Spotlighting Pan-African Poetry

Biography

Na Utopia

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Na utopia

Na essência utópica de ser humano
o Amor
nasce e
cresce como
o ar que respiro

e nossos corpos quentes juntam-se
e entrelaçam as nossas auras
no chapa cem
e comunicam-se as almas
o bem quer de ser humano
apagando nos corações
angustia cansada de ser vulgar:

Ah, irmã
já não acontece nada mais
aqui tão longe da utopia sublime
agora é txona, desespero e fome
que machucam minha miúda humanidade
viver neste quintal é uma surreal verdade

mal de mim que deixei para trás
o rhale e a bata doce
numa querer ser classificada de
assimilada
civilizada
e agora, do pão já nem o cheiro
e o chapa cem, onde embalávamos
os nossos sonhos ao sol nascer
e nossas fatigas no seu poente
nos fura o bolso tão fundo
que a mão acaricia a perna como
o toque de um amante desdenhado

é a Frustração de bichas que
só dançam para os lados e
nunca para frente,
e nem quem manda
sabe mais p’ra onde a fila anda
imerso num ego porfiado,
anula a bússola do universo
e no seio d’um naufrágio no abismo
tapa furos no barco roto
com os dedos do povo.

Mas sempre que a dor
se quer tornar palavra
soube-nos a adrenalina do medo
de querer caminhar
sempre
com os pés da alma

Quem dera ao meu ser
ter coragem de viver

na utopia

Tina Mucavele

Featured Poem:

Insídia do tempo

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No primeiro sonho
Eu sonho-te!
Sonho-te ser humano,
assim, a inchares o ventre de uma mulher.
Sonho-te assim, a romperes-lhe a carne
e pelo seu sangue, deslizares para o vento
receberes o beijo sol.

Depois sonho-te assim
camuflado de guerrilheiro do povo.
Assim, correndo nas entranhas das florestas
reclamando uma independência que é
só para o negro aspirando a burguesia.
Mas lá de longe eu oiço essa voz
que reclama

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo um
Voei na máquina do tempo
E estas tu aqui, insidioso matador
de catana na mão, despedaçando sem dó
cada pedaço de terra de ouro
e de florestas reféns da preciosa madeira
e de mares de crustáceos
e redes de…de tubarões
e ilhéus e até céus.
Arrumas-lhes a tua mesa como
suculentos acepipes.
Mas lá no fundo, vindo da poeira do bairro
A voz que desde há 500 anos canta e reclama

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo 2
Tu e teus rebentos e parasitas
mergulhando com as mãos ensanguentadas,
no banquete, fruto da carnificina
dos espíritos de um povo.
Enquanto lá fora as massarocas estão secas
e o batuque esta mudo.
Toca apenas uma mpandaza que ajuda
a celebrar a miséria da consciência,
a cegues da mente.
Mas da brisa do mar, esta cada vez mais forte e perto
Essa voz angustiada que grita

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo três,
Tu és o bicho papão,
e caminhas com sapato xipanha uswa
açambarcando tudo que está no teu caminho.
Engoles tudo por todos os orifícios do teu corpo
Pontes! Rios! Barragens nacionais e multinacionais
Vejo-te gordo e mal cheiroso,
alheio as vibrações do magma empapado
destas gentes engolidas pela ignorância e complacência.

E volto a sonhar-te,
entregue a maldição dos espíritos.
Fantasmas depelam a tua carne em filete prós cães
Fantasmas exercem obstetrícias as tuas entranhas
Sai um rim
Sai um fígado
Implodem-se os pulmões

E finalmente, colocam pneus de tractor sobre o teu plexo solar
e fósforos…
BOOM……
E o meu filho só saberá que és tu
quando encontrarem o cachimbo dourado!

Porque eu só queria que te importasses um pouco comigo

The chorus to the song says:
I just wish you were in my shelter during a storm
I just wish I could walk down the street holding hands with you
I just wished you could care a little about me

Dream 1:

I dream you human
swelling the belly of a woman
and then I dream you, ripping her flesh
and through the warm blood, slide unto
the wind and be kissed by sun
and then I dream you, camouflaged
as the people’s guerrilla
running through the guts of the forests
demanding an independence that is only for
aspiring black bourgeoisie
but I hear that voice from far away crying

I just wished you could care a little about me

Nightmare 1:

I flew in a time machine and ZAS!
you are here insidious killer, a machete on your hand
mercilessly dividing every piece of golden land
and forests, hostage of their precious wood
and seas of crustaceans, and networks …
networks …and shark net works
islets and heavens
you set these on your table, as succulent appetizers
but coming from the dust of the ghetto
the voice that for 500 years complains, is singing:

I just wished you could care a little about me

Nightmare 2:

you, your offspring and parasites, diving
with bloody hands in the banquet
result of the carnage of spirits of a people
while it outside your palace
the corn is dry and the drum is dumb
plays only a pandza[1]
that helps celebrate
the misery of consciousness, blindness of the mind
but, from the sea breeze, that anguished voice comes closer:

I just wished you could care a little about me

Nightmare 3:

You are a bogeyman, walk with
xipanha-uswa shoes, hoarding
all that is in your way
swallowing from every orifice of your body
bridges, rivers, national dams and multinationals
I see you fat and smelly, oblivious
to the vibrations of the lava drenched with tears
tears of these people consumed by ignorance
and complacence

Dream 2:

I dream you again, taken by the curse
of suffering spirits
ghosts tear your meat in fillet for dogs
ghosts perform obstetrics in your bowels
rip a kidney, rip a liver, lungs implode
and finally, tractor tires on your solar plexus
matches and
BOOM!
…..
….
….
amidst the debris and stinking smoke
my son will only know it’s you because …
the will find the golden pipe

But I told you, I warned you

all I wished was that you could care a little about me

How does this featured poem make you feel?

  • Amazement (3)
  • Pride (5)
  • Optimism (4)
  • Anger (0)
  • Delight (3)
  • Inspiration (2)
  • Reflection (5)
  • Captivation (3)
  • Peace (1)
  • Amusement (0)
  • Sorrow (1)
  • Vigour (1)
  • Hope (2)
  • Sadness (0)
  • Fear (0)
  • Jubilation (0)

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Biography

Tina Mucavele is a young Mozambican woman, social activist, writer and a mother of one son. She lives in Maputo, Mozambique, after living in Johannesburg for most of her adolescence and early adulthood.

Her day job is with rural civil society movements, in an attempt to raise consciousness and provide skills for political participation, monitoring of state budgets and quality of social services. In the city, she works with poets and musicians, and is part of the SEM CRITICA MOVEMENT, a performance space created for free artistic expression.

Tina’s poems and short stories are in the editing process, and she hopes to publish a collection of short stories by the end of 2011. Her travels around the African continent, Europe and South America have turned her into a strong Pan-African Citizen, and she loves and advocates for an eclectic African Identity. Tina began seriously writing her poetry in English, given the strong influence of English speaking authors such as Ama Ata Aidoo, Ben Okri, Alice Walker, Ngugi Wa Thiongo amongst other African writers.

However, coming back to Mozambique forced her to learn the Portuguese language as a tool to tell the stories that follow her around like friendly ghosts!

Tina Mucavele

Biography

Tina Mucavele is a young Mozambican woman, social activist, writer and a mother of one son. She lives in Maputo, Mozambique, after living in Johannesburg for most of her adolescence and early adulthood.

Her day job is with rural civil society movements, in an attempt to raise consciousness and provide skills for political participation, monitoring of state budgets and quality of social services. In the city, she works with poets and musicians, and is part of the SEM CRITICA MOVEMENT, a performance space created for free artistic expression.

Tina’s poems and short stories are in the editing process, and she hopes to publish a collection of short stories by the end of 2011. Her travels around the African continent, Europe and South America have turned her into a strong Pan-African Citizen, and she loves and advocates for an eclectic African Identity. Tina began seriously writing her poetry in English, given the strong influence of English speaking authors such as Ama Ata Aidoo, Ben Okri, Alice Walker, Ngugi Wa Thiongo amongst other African writers.

However, coming back to Mozambique forced her to learn the Portuguese language as a tool to tell the stories that follow her around like friendly ghosts!

Na Utopia

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Na utopia

Na essência utópica de ser humano
o Amor
nasce e
cresce como
o ar que respiro

e nossos corpos quentes juntam-se
e entrelaçam as nossas auras
no chapa cem
e comunicam-se as almas
o bem quer de ser humano
apagando nos corações
angustia cansada de ser vulgar:

Ah, irmã
já não acontece nada mais
aqui tão longe da utopia sublime
agora é txona, desespero e fome
que machucam minha miúda humanidade
viver neste quintal é uma surreal verdade

mal de mim que deixei para trás
o rhale e a bata doce
numa querer ser classificada de
assimilada
civilizada
e agora, do pão já nem o cheiro
e o chapa cem, onde embalávamos
os nossos sonhos ao sol nascer
e nossas fatigas no seu poente
nos fura o bolso tão fundo
que a mão acaricia a perna como
o toque de um amante desdenhado

é a Frustração de bichas que
só dançam para os lados e
nunca para frente,
e nem quem manda
sabe mais p’ra onde a fila anda
imerso num ego porfiado,
anula a bússola do universo
e no seio d’um naufrágio no abismo
tapa furos no barco roto
com os dedos do povo.

Mas sempre que a dor
se quer tornar palavra
soube-nos a adrenalina do medo
de querer caminhar
sempre
com os pés da alma

Quem dera ao meu ser
ter coragem de viver

na utopia

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Insídia do tempo

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No primeiro sonho
Eu sonho-te!
Sonho-te ser humano,
assim, a inchares o ventre de uma mulher.
Sonho-te assim, a romperes-lhe a carne
e pelo seu sangue, deslizares para o vento
receberes o beijo sol.

Depois sonho-te assim
camuflado de guerrilheiro do povo.
Assim, correndo nas entranhas das florestas
reclamando uma independência que é
só para o negro aspirando a burguesia.
Mas lá de longe eu oiço essa voz
que reclama

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo um
Voei na máquina do tempo
E estas tu aqui, insidioso matador
de catana na mão, despedaçando sem dó
cada pedaço de terra de ouro
e de florestas reféns da preciosa madeira
e de mares de crustáceos
e redes de…de tubarões
e ilhéus e até céus.
Arrumas-lhes a tua mesa como
suculentos acepipes.
Mas lá no fundo, vindo da poeira do bairro
A voz que desde há 500 anos canta e reclama

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo 2
Tu e teus rebentos e parasitas
mergulhando com as mãos ensanguentadas,
no banquete, fruto da carnificina
dos espíritos de um povo.
Enquanto lá fora as massarocas estão secas
e o batuque esta mudo.
Toca apenas uma mpandaza que ajuda
a celebrar a miséria da consciência,
a cegues da mente.
Mas da brisa do mar, esta cada vez mais forte e perto
Essa voz angustiada que grita

Eu só queria que te importasses um pouco comigo

E no pesadelo três,
Tu és o bicho papão,
e caminhas com sapato xipanha uswa
açambarcando tudo que está no teu caminho.
Engoles tudo por todos os orifícios do teu corpo
Pontes! Rios! Barragens nacionais e multinacionais
Vejo-te gordo e mal cheiroso,
alheio as vibrações do magma empapado
destas gentes engolidas pela ignorância e complacência.

E volto a sonhar-te,
entregue a maldição dos espíritos.
Fantasmas depelam a tua carne em filete prós cães
Fantasmas exercem obstetrícias as tuas entranhas
Sai um rim
Sai um fígado
Implodem-se os pulmões

E finalmente, colocam pneus de tractor sobre o teu plexo solar
e fósforos…
BOOM……
E o meu filho só saberá que és tu
quando encontrarem o cachimbo dourado!

Porque eu só queria que te importasses um pouco comigo

The chorus to the song says:
I just wish you were in my shelter during a storm
I just wish I could walk down the street holding hands with you
I just wished you could care a little about me

Dream 1:

I dream you human
swelling the belly of a woman
and then I dream you, ripping her flesh
and through the warm blood, slide unto
the wind and be kissed by sun
and then I dream you, camouflaged
as the people’s guerrilla
running through the guts of the forests
demanding an independence that is only for
aspiring black bourgeoisie
but I hear that voice from far away crying

I just wished you could care a little about me

Nightmare 1:

I flew in a time machine and ZAS!
you are here insidious killer, a machete on your hand
mercilessly dividing every piece of golden land
and forests, hostage of their precious wood
and seas of crustaceans, and networks …
networks …and shark net works
islets and heavens
you set these on your table, as succulent appetizers
but coming from the dust of the ghetto
the voice that for 500 years complains, is singing:

I just wished you could care a little about me

Nightmare 2:

you, your offspring and parasites, diving
with bloody hands in the banquet
result of the carnage of spirits of a people
while it outside your palace
the corn is dry and the drum is dumb
plays only a pandza[1]
that helps celebrate
the misery of consciousness, blindness of the mind
but, from the sea breeze, that anguished voice comes closer:

I just wished you could care a little about me

Nightmare 3:

You are a bogeyman, walk with
xipanha-uswa shoes, hoarding
all that is in your way
swallowing from every orifice of your body
bridges, rivers, national dams and multinationals
I see you fat and smelly, oblivious
to the vibrations of the lava drenched with tears
tears of these people consumed by ignorance
and complacence

Dream 2:

I dream you again, taken by the curse
of suffering spirits
ghosts tear your meat in fillet for dogs
ghosts perform obstetrics in your bowels
rip a kidney, rip a liver, lungs implode
and finally, tractor tires on your solar plexus
matches and
BOOM!
…..
….
….
amidst the debris and stinking smoke
my son will only know it’s you because …
the will find the golden pipe

But I told you, I warned you

all I wished was that you could care a little about me

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  • Amazement (3)
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Na essência utópica de ser humano
o Amor
nasce e
cresce como
o ar que respiro

e nossos corpos quentes juntam-se
e entrelaçam as nossas auras
no chapa cem
e comunicam-se as almas
o bem quer de ser humano
apagando nos corações
angustia cansada de ser vulgar:

Ah, irmã
já não acontece nada mais
aqui tão longe da utopia sublime
agora é txona, desespero e fome
que machucam minha miúda humanidade
viver neste quintal é uma surreal verdade

mal de mim que deixei para trás
o rhale e a bata doce
numa querer ser classificada de
assimilada
civilizada
e agora, do pão já nem o cheiro
e o chapa cem, onde embalávamos
os nossos sonhos ao sol nascer
e nossas fatigas no seu poente
nos fura o bolso tão fundo
que a mão acaricia a perna como
o toque de um amante desdenhado

é a Frustração de bichas que
só dançam para os lados e
nunca para frente,
e nem quem manda
sabe mais p’ra onde a fila anda
imerso num ego porfiado,
anula a bússola do universo
e no seio d’um naufrágio no abismo
tapa furos no barco roto
com os dedos do povo.

Mas sempre que a dor
se quer tornar palavra
soube-nos a adrenalina do medo
de querer caminhar
sempre
com os pés da alma

Quem dera ao meu ser
ter coragem de viver

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