Spotlighting Pan-African Poetry

Biography

Pedra Imortal

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Pedra Imortal
(Alma)
As pedras
romperam
o silencio.
Radioactivo
o movimento
radioactiva-se
de amor.
Hoje
o pó
espargiu-se em ternuras.
Somos alma.

(translation) Imortal Stone
(Soul)
Stones
broke
the silence.
Radioactive,
the movement
radioactivates love.
Today
dust
sprinkled tenderness.
We are soul.

Raul Alves da Silva Calane

Featured Poem:

Hoyo- Hoyo

Enlarge poem

Hoyo-Hoyo Palavra (Evocação aos nossos poetas desencarnados)

Hoyo- Hoyo palavra
Hoyo- Hoyo Poetas

Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Quem cultivou a nossa machamba da palavra?
Quem plantou o xihitane
também na boca dos animais?
Quem cantou o fogo e água
o gado, a caça, as sementeiras e a colheita?
Hoyo- Hoyo Poetas
que não morrem nas nossas florestas sagradas?
Hoyo-Hoyo madalas dos nossos karingana wa karingana

Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Nos serões da Ilha há um poeta
que não morreu
nos serões da Ilha há um pescador
navegando palavras
nos serões da Ilha há uma muthiana
no mussiro do corpo amado de Moçambique!

Hoyo- Hoyo Campos de Oliveira
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Campos de Oliveira
Hoyo- Hoyo!

Ao nosso brado africano
juntamos a escrita que veio do mar
com o nosso brado bem africano alfabetizamos a língua
no grande Livro da Dor.
E o nosso “Brado Africano” foi eco
e música, estreia de sonhos
foi árvore de raízes profundas
de Amor!

Hoyo- Hoyo João Albasini!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo João Albasini!
Hoyo- Hoyo!

E os fardos pesam nas costas dos maviki
e as crianças crescem sem sapatos para a árvore de Natal
e o capital multiplica a nossa desgraça
no cantar dos nossos sonetos decapitados.
Mas há sempre um Quenguelêquêzê
uma Lua Nova para os nossos nomes de esperança!

Hoyo- Hoyo Rui de Noronha!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Rui de Noronha!
Hoyo- Hoyo!

Fomos imperadores e príncipes aprisionados
memoria viva que nos traz o pensamento
fomos xibalos e patchissas desamadas
fomos Godido e Outros Contos
fomos pátria algemada ao sabor do tempo!

Hoyo- Hoyo João Dias!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo João Dias!
Hoyo- Hoyo!

Um capataz anda na Estrada patrulhando o trabalho
um mulato paga a portagem para o sangue da vida
um pássaro e um jardim florescem na biologia do poema
uma Minda incendeia os olhos de Amor
ua Roda Dentada da usina.
Uma geografia nasce no desenho-oficina da palavra!

Hoyo- Hoyo Orlando Mendes!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Orlando Mendes!
Hoyo- Hoyo!

Eu bebeu suruma dos teus olho Ana Maria
eu bebeu suruma e ficou mesmo maluco…
E um Silêncio Escancarado
deu liberdade à minha voz militante
deu sentido ao meu xicuembo e ao meu amor
e, assim, Ana Maria já não é mulher de toda gente
todo gente, todo gente, mas só meu minha Amor…!

Hoyo- Hoyo Rui Nogar!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Rui Nogar!
Hoyo- Hoyo!

E o país percorre a palavra cultural
música antropológica avivando a alma
de mapicos e yaos dançando frases
ritos e ritmos na escrita dos nossos passos.
E os contos crescem em Mbebele
e choram aquele Gajo e os Outros
narrativas-chave desocultando verdades!
Hoyo- Hoyo Aníbal Aleluia!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Aníbal Aleluia!
Hoyo- Hoyo!

Um poeta da canção dedilha:
A va sáti va lomu/ a vana usiwanô…
olhos- coração no despertar da Terra
e o vate-cantor veste vozes de lágrimas e sorrisos
capulana vermelha no aconchego da esteira.
Um poeta da música marrabenta o nosso sábado
até que de vez a porta do Amor se abra!

Hoyo- Hoyo Fany Pfumu!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo-Hoyo Fany Pfumu!
Hoyo- Hoyo!

E no sofrimento abandonado das estradas
Somos molwenes no grito-órfão dos nossos medos.
Somos cronistas de um país de feridas abertas
ou Moçambicantos de um país de esperança.
Somos irmãos do Universo infinito
Somos poemas de Entre a Noite e o Dia
Luzindo na eternidade da palavra-arte!

Hoyo- Hoyo Isac Zita!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Areosa Pena!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo- Hoyo Carlos Cardoso!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Gulamo Kahn!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Leite Vasconcelos!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Abdul Remane!
Hoyo-Hoyo!

No Índico, vozes de Sangue Negro da nossa terra
gaivotas soltam-se doídas de azul.
No mapa de uma nação a desenhar
um poema abriu a picada dos nossos versos
vozes da Catembe, vozes de pátria de lês-a-lês.
Altivo e digno um continente-mulher ergueu-se, gritando:
Se me quiseres conhecer, olha-me como os olhos bem de ver!
Ah! Essa sou eu! África da cabeça aos pés!

Hoyo-Hoyo Noémia de Sousa!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Noémia de Sousa!
Hoyo- Hoyo!

E no lume bantu da terra
se forjaram outras mestiçagens de luta
novos hinos do deflagrar das palavras
novas palavras na pólvora dos versos
poemas fecundando um país para a liberdade.
Tu agora também mito e lenda
Tu agora palavra investigada na poesia do saber
tu agora Xigubo cantando e dançado ao ritmo do tambor
outros Karinganas num Sia-Vuma para Moçambique!

Hoyo- Hoyo José Craveirinha!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo José Craveirinha!
Hoyo- Hoyo!

Hoyo- Hoyo todos aqui nomeados e por nomear
Hoyo- Hoyo palavra eterna, palavra criação
Da Grande Casa da nossa literatura!

Hoyo- Hoyo Literatura Moçambique!
Hoyo- Hoyo todas as palavras de Moçambique!
Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Translation

Hoyo-Hoyo [welcome] Word (Remembering our poets disembodied)

Hoyo Hoyo Word
Hoyo-Hoyo Poets

Everyone Say it
Hoyo-Hoyo!

Who cultivated the farm of our word?
Who planted the xihitane [story]
also in the animals’ mouths?
Who sang the fire and water
the cattle, the hunting, the planting and the harvesting?
Hoyo-Hoyo Poets
who do not die in our sacred forests?
Hoyo-Hoyo Madala [old man] our karingana wa karingana [calling of a story]

In the island evenings’ there is a poet
who did not die
in the island evenings’ there is a fisherman
browsing words
in the island evenings’ there is a muthiana [beautiful woman]
mussiro [traditional face make-up] of the beloved body of Mozambique!

Hoyo-Hoyo de Oliveira Campos
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo de Oliveira Campos
Hoyo-Hoyo!

Unto our African Cry
We joined the writing that came from the sea
with our very African Cry we alphabetised language
in the great Book of Pain.
And our African Cry was echo
and music, a dreams debut
was tree of deep-rooted
Love!

Hoyo-Hoyo John Albasini!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo John Albasini!
Hoyo-Hoyo!

[…]

And in light of Bantu land
other hybridisations were forged fighting
new hymns of trigger words
new words in the verses of gunpowder
poems fertilising a country to freedom.
You also, now myth and legend
You now investigated word poetry in the knowledge
you now xigubo [traditional music and dance] singing and dancing to the beat of the drum
other Karinganas a Sia-Vuma [we hear you] to Mozambique!

Hoyo-Hoyo Jose Craveirinha!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo Jose Craveirinha!
Hoyo-Hoyo!

Hoyo-Hoyo here all called and to called
Hoyo-Hoyo eternal word, word creation
of the Great House of our literature!

Hoyo-Hoyo Mozambique Literature!
Hoyo-Hoyo all words in Mozambique!

Everyone say it
Hoyo-Hoyo!

How does this featured poem make you feel?

  • Amazement (1)
  • Pride (1)
  • Optimism (3)
  • Anger (1)
  • Delight (1)
  • Inspiration (1)
  • Reflection (1)
  • Captivation (1)
  • Peace (1)
  • Amusement (1)
  • Sorrow (1)
  • Vigour (1)
  • Hope (1)
  • Sadness (0)
  • Fear (0)
  • Jubilation (1)

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Biography

Mozambican writer and essayist Raul Alves da Silva Calane was born in the city of Maputo on 20th October 1945. He grew up and studied in the city. Very early in his life he began and was involved with journalism and literature. He led the Gazeta Artes e Letras da revista Tempo (Gazette of Arts and Letters of the Time Magazine) in 1985, and was appointed in 1987, head of the editorial board of the national television, then called “Televisao Experiemental de Mocambique” (Experimental Television of Mozambique). He also became a founding member and board member of the Association of Mozambican Writers.
He earned a master’s degree in Portuguese Linguistics from the University of Porto, with a dissertation on “Pedagogia do léxico : as escolhas lexicais bantus, os neologismos luso-rongas e a sua função estilística e estético-nacionalista nas obras Xigubo e Karingana wa Karingana de José Craveirinha” (The Pedagogy of the lexicon: the Bantu lexical choices, the neologisms Luso-Ronga and its stylistic and aesthetic function in the works and Xigubo Karingana wa Karingana of Jose Craveirinha).
Calane da Silva is currently a lecturer at the Language Centre of Universidade Pedagogica (Pedagogical University) and the Director of the Centro Cultural Brasil-Moçambique (Cultural Centre Brasil-Mozambique), both in Maputo. He is also the author, editor of several essays, novels and anthologies, which include: Dos meninos da Malanga. Maputo, Cadernos Tempo, 1982 (Poetry); Xicandarinha na lenha do mundo. Maputo, Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988. Colecção Karingana (Short Stories). Gotas de Sol. Maputo, Associação dos Escritores Moçambicanos, 2006 (novel); A Pedagogia do Léxico. O Estiloso Craveirinha. As escolhas leixicais bantus, os neologismos luso-rongas e a sua função estilística e estético-nacionalista nas obras Xigubo e Karingana wa Karingama. Maputo, Imprensa Universitária, 2002 (Thesis Publication); Nyembêtu ou as Cores da Lágrima. Lisboa. Texto Editores. 2008 (Novel).

Raul Alves da Silva Calane

Biography

Mozambican writer and essayist Raul Alves da Silva Calane was born in the city of Maputo on 20th October 1945. He grew up and studied in the city. Very early in his life he began and was involved with journalism and literature. He led the Gazeta Artes e Letras da revista Tempo (Gazette of Arts and Letters of the Time Magazine) in 1985, and was appointed in 1987, head of the editorial board of the national television, then called “Televisao Experiemental de Mocambique” (Experimental Television of Mozambique). He also became a founding member and board member of the Association of Mozambican Writers.
He earned a master’s degree in Portuguese Linguistics from the University of Porto, with a dissertation on “Pedagogia do léxico : as escolhas lexicais bantus, os neologismos luso-rongas e a sua função estilística e estético-nacionalista nas obras Xigubo e Karingana wa Karingana de José Craveirinha” (The Pedagogy of the lexicon: the Bantu lexical choices, the neologisms Luso-Ronga and its stylistic and aesthetic function in the works and Xigubo Karingana wa Karingana of Jose Craveirinha).
Calane da Silva is currently a lecturer at the Language Centre of Universidade Pedagogica (Pedagogical University) and the Director of the Centro Cultural Brasil-Moçambique (Cultural Centre Brasil-Mozambique), both in Maputo. He is also the author, editor of several essays, novels and anthologies, which include: Dos meninos da Malanga. Maputo, Cadernos Tempo, 1982 (Poetry); Xicandarinha na lenha do mundo. Maputo, Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988. Colecção Karingana (Short Stories). Gotas de Sol. Maputo, Associação dos Escritores Moçambicanos, 2006 (novel); A Pedagogia do Léxico. O Estiloso Craveirinha. As escolhas leixicais bantus, os neologismos luso-rongas e a sua função estilística e estético-nacionalista nas obras Xigubo e Karingana wa Karingama. Maputo, Imprensa Universitária, 2002 (Thesis Publication); Nyembêtu ou as Cores da Lágrima. Lisboa. Texto Editores. 2008 (Novel).

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Pedra Imortal
(Alma)
As pedras
romperam
o silencio.
Radioactivo
o movimento
radioactiva-se
de amor.
Hoje
o pó
espargiu-se em ternuras.
Somos alma.

(translation) Imortal Stone
(Soul)
Stones
broke
the silence.
Radioactive,
the movement
radioactivates love.
Today
dust
sprinkled tenderness.
We are soul.

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Hoyo-Hoyo Palavra (Evocação aos nossos poetas desencarnados)

Hoyo- Hoyo palavra
Hoyo- Hoyo Poetas

Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Quem cultivou a nossa machamba da palavra?
Quem plantou o xihitane
também na boca dos animais?
Quem cantou o fogo e água
o gado, a caça, as sementeiras e a colheita?
Hoyo- Hoyo Poetas
que não morrem nas nossas florestas sagradas?
Hoyo-Hoyo madalas dos nossos karingana wa karingana

Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Nos serões da Ilha há um poeta
que não morreu
nos serões da Ilha há um pescador
navegando palavras
nos serões da Ilha há uma muthiana
no mussiro do corpo amado de Moçambique!

Hoyo- Hoyo Campos de Oliveira
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Campos de Oliveira
Hoyo- Hoyo!

Ao nosso brado africano
juntamos a escrita que veio do mar
com o nosso brado bem africano alfabetizamos a língua
no grande Livro da Dor.
E o nosso “Brado Africano” foi eco
e música, estreia de sonhos
foi árvore de raízes profundas
de Amor!

Hoyo- Hoyo João Albasini!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo João Albasini!
Hoyo- Hoyo!

E os fardos pesam nas costas dos maviki
e as crianças crescem sem sapatos para a árvore de Natal
e o capital multiplica a nossa desgraça
no cantar dos nossos sonetos decapitados.
Mas há sempre um Quenguelêquêzê
uma Lua Nova para os nossos nomes de esperança!

Hoyo- Hoyo Rui de Noronha!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Rui de Noronha!
Hoyo- Hoyo!

Fomos imperadores e príncipes aprisionados
memoria viva que nos traz o pensamento
fomos xibalos e patchissas desamadas
fomos Godido e Outros Contos
fomos pátria algemada ao sabor do tempo!

Hoyo- Hoyo João Dias!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo João Dias!
Hoyo- Hoyo!

Um capataz anda na Estrada patrulhando o trabalho
um mulato paga a portagem para o sangue da vida
um pássaro e um jardim florescem na biologia do poema
uma Minda incendeia os olhos de Amor
ua Roda Dentada da usina.
Uma geografia nasce no desenho-oficina da palavra!

Hoyo- Hoyo Orlando Mendes!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Orlando Mendes!
Hoyo- Hoyo!

Eu bebeu suruma dos teus olho Ana Maria
eu bebeu suruma e ficou mesmo maluco…
E um Silêncio Escancarado
deu liberdade à minha voz militante
deu sentido ao meu xicuembo e ao meu amor
e, assim, Ana Maria já não é mulher de toda gente
todo gente, todo gente, mas só meu minha Amor…!

Hoyo- Hoyo Rui Nogar!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Rui Nogar!
Hoyo- Hoyo!

E o país percorre a palavra cultural
música antropológica avivando a alma
de mapicos e yaos dançando frases
ritos e ritmos na escrita dos nossos passos.
E os contos crescem em Mbebele
e choram aquele Gajo e os Outros
narrativas-chave desocultando verdades!
Hoyo- Hoyo Aníbal Aleluia!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Aníbal Aleluia!
Hoyo- Hoyo!

Um poeta da canção dedilha:
A va sáti va lomu/ a vana usiwanô…
olhos- coração no despertar da Terra
e o vate-cantor veste vozes de lágrimas e sorrisos
capulana vermelha no aconchego da esteira.
Um poeta da música marrabenta o nosso sábado
até que de vez a porta do Amor se abra!

Hoyo- Hoyo Fany Pfumu!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo-Hoyo Fany Pfumu!
Hoyo- Hoyo!

E no sofrimento abandonado das estradas
Somos molwenes no grito-órfão dos nossos medos.
Somos cronistas de um país de feridas abertas
ou Moçambicantos de um país de esperança.
Somos irmãos do Universo infinito
Somos poemas de Entre a Noite e o Dia
Luzindo na eternidade da palavra-arte!

Hoyo- Hoyo Isac Zita!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Areosa Pena!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo- Hoyo Carlos Cardoso!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Gulamo Kahn!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Leite Vasconcelos!
Hoyo-Hoyo!
Hoy-Hoyo Abdul Remane!
Hoyo-Hoyo!

No Índico, vozes de Sangue Negro da nossa terra
gaivotas soltam-se doídas de azul.
No mapa de uma nação a desenhar
um poema abriu a picada dos nossos versos
vozes da Catembe, vozes de pátria de lês-a-lês.
Altivo e digno um continente-mulher ergueu-se, gritando:
Se me quiseres conhecer, olha-me como os olhos bem de ver!
Ah! Essa sou eu! África da cabeça aos pés!

Hoyo-Hoyo Noémia de Sousa!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo Noémia de Sousa!
Hoyo- Hoyo!

E no lume bantu da terra
se forjaram outras mestiçagens de luta
novos hinos do deflagrar das palavras
novas palavras na pólvora dos versos
poemas fecundando um país para a liberdade.
Tu agora também mito e lenda
Tu agora palavra investigada na poesia do saber
tu agora Xigubo cantando e dançado ao ritmo do tambor
outros Karinganas num Sia-Vuma para Moçambique!

Hoyo- Hoyo José Craveirinha!
Hoyo- Hoyo!
Hoyo- Hoyo José Craveirinha!
Hoyo- Hoyo!

Hoyo- Hoyo todos aqui nomeados e por nomear
Hoyo- Hoyo palavra eterna, palavra criação
Da Grande Casa da nossa literatura!

Hoyo- Hoyo Literatura Moçambique!
Hoyo- Hoyo todas as palavras de Moçambique!
Digam todos
Hoyo- Hoyo!

Translation

Hoyo-Hoyo [welcome] Word (Remembering our poets disembodied)

Hoyo Hoyo Word
Hoyo-Hoyo Poets

Everyone Say it
Hoyo-Hoyo!

Who cultivated the farm of our word?
Who planted the xihitane [story]
also in the animals’ mouths?
Who sang the fire and water
the cattle, the hunting, the planting and the harvesting?
Hoyo-Hoyo Poets
who do not die in our sacred forests?
Hoyo-Hoyo Madala [old man] our karingana wa karingana [calling of a story]

In the island evenings’ there is a poet
who did not die
in the island evenings’ there is a fisherman
browsing words
in the island evenings’ there is a muthiana [beautiful woman]
mussiro [traditional face make-up] of the beloved body of Mozambique!

Hoyo-Hoyo de Oliveira Campos
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo de Oliveira Campos
Hoyo-Hoyo!

Unto our African Cry
We joined the writing that came from the sea
with our very African Cry we alphabetised language
in the great Book of Pain.
And our African Cry was echo
and music, a dreams debut
was tree of deep-rooted
Love!

Hoyo-Hoyo John Albasini!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo John Albasini!
Hoyo-Hoyo!

[…]

And in light of Bantu land
other hybridisations were forged fighting
new hymns of trigger words
new words in the verses of gunpowder
poems fertilising a country to freedom.
You also, now myth and legend
You now investigated word poetry in the knowledge
you now xigubo [traditional music and dance] singing and dancing to the beat of the drum
other Karinganas a Sia-Vuma [we hear you] to Mozambique!

Hoyo-Hoyo Jose Craveirinha!
Hoyo-Hoyo!
Hoyo-Hoyo Jose Craveirinha!
Hoyo-Hoyo!

Hoyo-Hoyo here all called and to called
Hoyo-Hoyo eternal word, word creation
of the Great House of our literature!

Hoyo-Hoyo Mozambique Literature!
Hoyo-Hoyo all words in Mozambique!

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  • Amazement (1)
  • Pride (1)
  • Optimism (3)
  • Anger (1)
  • Delight (1)
  • Inspiration (1)
  • Reflection (1)
  • Captivation (1)
  • Peace (1)
  • Amusement (1)
  • Sorrow (1)
  • Vigour (1)
  • Hope (1)
  • Sadness (0)
  • Fear (0)
  • Jubilation (1)

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(Alma)
As pedras
romperam
o silencio.
Radioactivo
o movimento
radioactiva-se
de amor.
Hoje
o pó
espargiu-se em ternuras.
Somos alma.

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